Acorda com vista rio (e a casa às costas – parte 4)

Acorda. Suave e lentamente. Ouvem-se pessoas nas imediações. Como não? Estamos em pleno centro da vila. É domingo de manhã. Há mercado de produtos locais, artesanais e tradicionais. A descrição é o do início de um qualquer dia em tantas outras localidades do país. Mas saímos do leito para fazer o pequeno-almoço e, mal espreitamos pelo pára-brisas, vemos a ribeira. Serena e ondulante. Flui com calma, rumo ao Zêzere, esse irmão mais velho que vive a alimentar o Tejo.

A mesa está posta. Por momentos sinto alguma melancolia. É o último dia com a casa às costas. Valorizo muito estes momentos em família. Não só as férias. Momentos normais, rotineiros. Até corriqueiros. Como o pequeno-almoço. Como o almoço. Como o jantar. Comemos juntos. Trocamos dois dedos de conversa. Nunca fiada. Sorrimos. Rimos. Partilhamos.

Pequeno-almoço tomado. É cedo. Abro a porta. Esta sensação da aragem que corre é refrescante. O centro da Sertã é curioso. Porque, apesar de ser o centro de uma vila e do movimento de um domingo de agosto, com viajantes e visitantes, não deixa de ser campo, de ser rural, de inspirar, de quase inebriar pelo verde das árvores e das serras.

Passeamos. Sem tempo contado, sem pressas. Visitamos o mercado. Visita essa que, em tempos de pandemia, implica um ritual muito próprio. Há barreiras à entrada. Como se fosse, quase, a entrada para um estádio de futebol. Os seguranças são, porém, funcionários municipais, simpáticos, que oferecem álcool-gel e pedem às pessoas que respeitem o percurso e o distanciamento social.

Mel, fruta. Fizemos um pequeno cabaz. A esplanada ali ao lado convida. O café podia ser menos ácido, mais cremoso. Mas acaba por ser, afinal, o que menos importa.

Voltamos a casa. Damos à chave e saímos. Paramos na estação de serviço para cumprir certos protocolos que uma casa andante implica. E arrancamos. Pela serra. Pela N2. Passamos junto ao centro geodésico de Portugal. Começamos a descer. Sudeste é o destino. Fazemos uma viagem calma. Tranquila. Como se quer. Como deve ser. E chegamos para atestar, a casa e os seus ocupantes.

(Este é o quarto de uma série de textos que escrevo sobre a primeira experiência numa auto-caravana.)

Primeiro artigo – A casa às costas (parte 1)

Segundo artigo – Acorda (A casa às costas – parte 2)

Descobertas com a casa às costas (parte 3)

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