Do meu Evereste vê-se o mundo

O ponto mais alto do mundo fica tão longe da minha vida. Lá longe há uma montanha tão alta que, dizem, custa a respirar. Na minha vida, o ponto mais alto é tão mais pequeno que o Evereste como é grande para quem o ladeia.

Sempre que chego lá acima sem apoio ou ajuda, o sentimento de superação é pleno. Páro. Olho o horizonte. Respiro fundo. A contemplação transcende. Pela vista. Pela paisagem. Pela sensação de poder. Sinto que sou dono do mundo. Do meu mundo.

Lá bem no alto, no pico, são 1025 metros de altitude. 1 quilómetro e mais uma piscina de 25 metros em relação ao mar. Esse que está lá, também, longe. A pelo menos duas horas de viagem… de carro. Portalegre é terra de amplitudes térmicas. No meu Evereste, as evidências são maiores. Lá bem no topo neva quando faz frio. No verão, em dias quentes e soalheiros, as temperaturas cortam-nos a respiração.

A meteorologia é ditadora e limita-nos os horizontes quando carrega, sobre a montanha, o peso das nuvens cinzentas. O céu azul estende as paisagens tão diferentes quanto vibrantes. Lá do alto, Marvão e Castelo de Vide são guardas de honra no lado norte, montanhoso, irregular, e que segura, no ventre da serra, um depósito de água que dá de beber à região. A sul, a planície alonga-se, no amarelo ocre que a caracteriza quando entramos no estio.

O alto da Serra de São Mamede é o meu pico, o topo que me desafia, que me protege, que me faz querer explorar. Lá de cima vejo o mundo.

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